Saiba como ver a passagem de Mercúrio pelo Sol no dia 09 de Maior de 2016 – Evento raro neste século!

mercurio

O evento raro acontece apenas 14 vezes neste século – outro, somente em 2117! E claro, não estaremos aqui para ver :/

Pela primeira vez em quase dez anos, o planeta mais interno do Sistema Solar fará uma aparição especial aos terráqueos. As posições de Mercúrio e da Terra no balé de suas órbitas vão permitir que observemos a silhueta do pequeno astro cruzando o disco solar durante a manhã e parte da tarde do dia 9 de maio.

O evento, chamado de trânsito de Mercúrio, é raro e acontece apenas 14 vezes neste século, sendo que a próxima será em novembro de 2019. Mas não espere olhar para o Sol e ver um eclipse: lembre-se que o planetinha é quase três vezes menor que a Terra e, durante o trânsito, estará a mais de 80 milhões de quilômetros de nós. Até mesmo uma mancha solar típica é maior que Mercúrio.

“Não dá para ver a olho nu porque o pontinho sobre o disco é muito pequeno”, aponta Roberto Costa, astrônomo do IAG-USP. “Se fosse Vênus daria, mas agora, só no século 22.” Por também estar mais perto do Sol do que nós, outro trânsito que podemos avistar é o de Vênus. Raríssimo, ocorre míseras duas vezes a cada cem anos. Se você perdeu os de 2004 e 2012, não terá outra chance, já que o evento só se repete em 2117.

Apesar de não ser visível a olho nu, existem outros meios de se observar o fenômeno mercuriano. Com um binóculo, uma luneta ou um telescópio que amplie 10 vezes a imagem já é possível distinguir o contorno da bolinha preta. Mas todo cuidado é pouco.Nunca se deve apontar um instrumento para o Sol a não ser com filtro específico.“Não serve vidro de soldador nem radiografia, isso não é brincadeira, o risco de uma lesão sem volta é muito grande, a retina literalmente queima”, alerta Costa.

Os cientistas também estarão de olho no trânsito para estudá-lo: astrônomos usam essa mesma técnica para confirmar a existência de planetas orbitando outras estrelas, e ao cronometrar com precisão o evento, é possível refinar os modelos de funcionamento do Sistema Solar. Tudo isso só prova que Mercúrio é mesmo um pequeno notável. “Sua órbita não pode ser explicada com a mecânica clássica de Newton”, explica Roberto Costa. “Ele está tão perto do Sol que o espaço ali é deformado, então é preciso um pouco da relatividade de Einstein.”

 (Foto: J. P. Brito)
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